Arquivo da categoria: Pensamento Empreendedor

Artigos, textos e dicas sobre a arte de empreender por conta própria

O valor de uma ideia

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante

Os caminhos que conduzem o empreendedor a uma vida plena de realizações são muito distintos e nem sempre ocorrem como planejados inicialmente. Pergunte a qualquer empreendedor bem-sucedido como ele construiu um império a partir do zero e é provável que ouça algo parecido com “as coisas foram acontecendo”, “trabalhei feito louco” ou ainda “nem eu mesmo sei direito”, porém a realidade é que os negócios bem-sucedidos são idealizados primeiro na mente.

Há mais de 90 anos, um caixeiro de nome Asa Candler adquiriu uma fórmula secreta aparentemente insignificante, rabiscada por um velho farmacêutico chamado John S. Pemberton, num simples pedacinho de papel, por uma quantia irrisória na época, porém para o caixeiro representava a economia de uma vida inteira. O farmacêutico ficou contente de negociar a fórmula por quinhentos dólares e o caixeiro tinha consciência do risco ao adquirir um simples pedaço de papel.

Os fatos posteriores à negociação entre o caixeiro e o farmacêutico são dignos de seres dotados do legítimo espírito empreendedor. Na realidade, o que Asa Candler comprou foi uma idéia. O velho tacho com a amostra do produto, a pá de madeira e a fórmula secreta entregue pelo farmacêutico foram completamente irrelevantes e acidentais na época.

Quase um século depois, o velho tacho de madeira continua gerando riquezas com uma velocidade estonteante ao consumir bilhões de latas e garrafas, ao gerar milhares de empregos diretos ou indiretos em diversos países do mundo e ao proporcionar glória e fortuna para dezenas de artistas e iniciantes que ganham a vida participando de propagandas para promover o produto.

Todos os dias, o líquido precioso se faz presente em milhares de comemorações, festas de aniversários, nascimentos e casamentos ao redor do planeta. Não é possível ficar um dia somente sem ouvir ou ler o nome do produto em qualquer lugar que você vá e, apesar do esforço dos vigilantes do peso, da saúde e do meio ambiente para a redução do consumo, a força natural do marketing exercido sobre o produto desde a primeira festa de aniversário de qualquer pessoa é praticamente indestrutível.

Parafraseando Napoleon Hill, autor de A Lei do Triunfo, seja quem você for, viva onde viver, seja qual for a sua ocupação, lembre-se, todas as vezes que ver e ouvir o nome Coca Cola, que seu grande império de riquezas e influência nasceu de uma simples idéia. O misterioso ingrediente que o caixeiro misturou à fórmula secreta era nada mais, nada menos, do que imaginação.

A influência da Coca Cola estendeu-se por todos os povoados, cidades, estados, países, organizações, indústrias, roteiros de cinema, rádio, televisão e encruzilhadas do mundo e serve de inspiração para qualquer empreendedor que vislumbre a mínima possibilidade de quebrar todos os recordes desse “matador” de sede universal. Talvez nem o próprio Asa Candler fizesse a mínima idéia da dimensão que uma simples fórmula transformada em líquido pudesse tomar na economia mundial.

Embora o nome Coca Cola seja visto como símbolo do imperialismo econômico americano por muitos países, isso é apenas conseqüência dos rumos que uma simples idéia colocada em prática pode tomar. Quando o empreendedor lança uma idéia e ela se torna bem-sucedida, os acontecimentos subseqüentes podem ganhar uma dimensão que tende a fugir ao seu próprio controle.

Dentre as 100 marcas mais valiosas do planeta, a Coca Cola ocupa a primeira posição no ranking, segundo a pesquisa Best Global 2007, divulgada na Revista americana Business Week, especializada no assunto. Em valores absolutos, uma quantia considerável de US$ 65 bilhões, apenas para o valor da marca, independentemente das demais riquezas proporcionadas pela sua produção e comercialização.

O valor de uma ideia pode ser representado pela seguinte fórmula: V = I + E + O, ou seja, (I) imaginação + (E) esforço + (O) otimismo, portanto, nunca despreze uma simples possibilidade, principalmente quando ela estiver alinhada com a sua vocação, o seu propósito de vida e um amplo sentido de realização.

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Feitas para durar

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante

A construtora KONGO GUMI, com sede em Osaka, no Japão, é considerada a empresa mais antiga do mundo, segundo a Family Business Magazine, revista dedicada ao assunto nos Estados Unidos. Fundada no ano 578 da Era Cristã, definiu-se à época que a companhia seria uma referência na arte de construir e reformar templos religiosos. 1430 anos depois, a missão da empresa continua sendo seguida à risca e a família comanda a empresa há praticamente 40 gerações, dentro da mesma atividade. Na ocasião, o príncipe japonês Shotoku convenceu os membros da família KONGO a vir da Coréia para o Japão e construir o tempo budista Shitennoji, o qual ainda existe. Durante séculos, a empresa Kongo Gumi participou da construção de muitos outros famosos templos e castelos, incluindo o Castelo de Osaka, no Século XVI.

Em pleno Século XXI, os descendentes da família KONGO permanecem construindo, reformando templos religiosos e comandando os negócios a partir de Osaka. Toshitaka Kongo é o atual presidente da empresa e Masakazu Kongo, o filho mais velho, continua nos bastidores à espera de um dia comandar a empresa no mais fiel e tradicional estilo de administração japonês, a exemplo da Toyota, Sony, Sumitomo, Nokia e outras grandes corporações daquele país.

Contrária às recomendações dos especialistas, a Kongo Gumi não abriu mão do seu propósito inicial nem desenvolveu uma nova linha de negócios. Nesse caso, a inovação não se fez necessária para manter a empresa viva, o que torna mais difícil o entendimento sobre o que realmente leva uma empresa a perpetuar.

Na América, segundo a Family Business Magazine, a empresa familiar mais antiga em atividade é a ZILDJIAN CYMBAL CO., fundada no ano de 1623 na cidade de Constantinopla, por um alquimista de nome Avedis I, que descobriu na combinação do cobre, estanho e prata, a liga metálica ideal para a fabricação do címbalo, um instrumento de percussão que foi o precursor dos instrumentos do jazz atual. A família Zildjian imigrou para a cidade americana de Massachusetts em 1929, capitaneada por Avedis Zildjian III, a fim de se estabelecer como importadora e fabricante de instrumentos de percussão, dando continuidade ao negócio, 306 anos depois de sua fundação.

Em 2002, seu filho Armand modernizou a fábrica. Em 2023 a empresa deverá completar 400 anos de existência sem perder a essência nem se distanciar da sua missão original. Em 2023, quando eu completar 60 anos de vida, pretendo comemorar os 20 anos da minha missão pessoal com o mesmo espírito e o orgulho com que a ZILDJIAN deverá comemorar os seus 400 anos de existência.

Empreendedores sérios – criadores ou sucessores – não abrem mão de construir um sonho baseado em princípios e valores capazes de alterar o destino da humanidade. Quando iniciam qualquer empreendimento no complexo mundo dos negócios, é natural que pensem em ganhar dinheiro, mas devem pensar, acima de tudo, em como construir um empreendimento capaz de gerar valor e prosperidade para todos os envolvidos no processo. Qualquer propósito diferente disso soa egoísmo, avareza e oportunismo.

Empresas feitas para durar são movidas pelo verdadeiro espírito empreendedor e este, por sua vez, aflora somente quando o sentido de contribuição é levado em conta. O empreendedor que não considera o bem-estar das pessoas e do planeta em sua missão terá muito mais dificuldades para conquistar o respeito e a admiração da sociedade.

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P.S. Lamentavelmente, a Construtora Kongo Gumi fechou as portas em 2009 depois de 40 gerações na mão da família, por conta de uma administração lamentável e a perda de foco. Isso não impede que continuemos a admirar a história que passou de pai para filhos por mais de 1400 anos.

A incrível arte de empreender

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante

Empreendedor

Conheço inúmeros candidatos a empreendedores ou mesmo empreendedores bem sucedidos no mundo dos negócios, mas a realidade é cruel. A maioria apostou todas as fichas em negócios por conta própria e perdeu o pouco que conseguiu amealhar durante uma vida inteira de trabalho em questão de meses.

Empreendedorismo é uma palavra bonita, não se pode negar, mas aplicá-la no sentido literal requer muito mais do que força de vontade e capital. No Brasil, a palavra ainda se assemelha mais com trabalhar por conta própria do que com empreender por vontade própria, inovar ou ser criativo, conceber algo diferente, olhar uma demanda oculta no mercado com olhos de quem já percebeu uma maneira diferente de oferecer um novo produto ou serviço.

 Quem não sonha um dia ser dono do próprio nariz? Quantos passam boa parte da vida arquitetando planos mirabolantes que nunca saem do papel? Somos filhos da geração diploma acostumada desde pequena a direcionar esforços para a conquista de um título em qualquer profissão. Nem nos perguntaram se realmente queríamos fazer o curso que nos indicaram, mas o importante era obter o diploma. Gostar se aprende com o tempo, diziam os mais experientes.

Infelizmente as escolas do século passado não se preocuparam com duas premissas muito importantes no mundo do empreendedorismo: lidar com dinheiro e lidar com gente, ou seja, saber conviver com o excesso ou a falta de dinheiro e saber se relacionar com pessoas. Habilidades não faltam a nenhum indivíduo na face da Terra. Todos são munidos de algum dom especial que pode ser estimulado de alguma forma ou ficar adormecido sem nunca ter sido descoberto.

O mundo está recheado de exemplos de grandes empreendedores que dedicaram a vida por uma causa nobre, a serviço da humanidade. Esse é apenas um dos segredos do empreendedor de verdade. Ser útil e criativo significa contribuir para um mundo melhor, assim como fizeram Edison, Einstein, Graham Bell e milhares de outros empreendedores.

Empreender significa criar valor, inovar, conceber algo inesquecível, útil, digno de louvor e apreciação, o que, em geral, é retribuído pela natureza com valor monetário e reconhecimento. O empreendedorismo não pode ser visto apenas como uma ciência que transforma bens e serviços em dinheiro, mas deve, principalmente, ser avaliado pelo sentido de realização que provoca nas pessoas que arriscam tudo em busca de uma vida melhor para si e para o mundo ao seu redor.

Imagine-se capaz de criar soluções, ter idéias próprias, empregar apenas duas ou então milhares de pessoas,  dar sentido à vida por alguma razão específica, deixar um legado, uma história de fracassos seguida de sucessos. Isso é empreendedorismo na prática, o verdadeiro sentido da realização.

O Brasil é uma terra de oportunidades. Fico triste quando as pessoas vêm argumentar comigo que o país não tem jeito e por essa razão estão indo embora para outros países em busca de uma vida melhor. Isso é lamentável. Somos imediatistas, falta-nos a paciência do japonês que sabe a hora de plantar, regar e colher, tudo a seu tempo. Enquanto milhares deixam o Brasil, outros milhares procuram o país pelos mesmos motivos. O que muda é a percepção com relação ao ambiente.

Empreender é algo que transcende a lógica do mercado. Quem não conhece algum empreendedor que, contrariando todos os prognósticos, se deu bem na vida por ter reunido qualidades não ensinadas nas escolas? Persistência, foco e relacionamento interpessoal são características imprescindíveis para quem quer vencer como patrão e isso somente o tempo é capaz de ensinar.

Lamentar durante uma vida toda sem ter coragem de tentar algo novo é uma atitude inaceitável. Por essas e outras razões “a maioria das pessoas prefere a escravidão na segurança ao risco na independência”, segundo Emmanuel Mouniere. Pense nisso, acredite na sua vocação, planeje, crie a sua própria visão e missão e seja o “dono do seu próprio nariz.”

O empreendedor do futuro

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante

EmpreendedorA sociedade é uma onda e a onda move-se para frente, mas a água da qual é composta não, afirmava Emerson, pensador e filósofo americano. A mesma partícula não sobe do vale para a crista. Sua unidade é apenas fenomênica. As pessoas que hoje perfazem uma nação morrem no ano seguinte, e sua experiência com elas.

A evolução do ser humano só se consolida no último segundo, antes do suspiro final. Neste momento ele atinge o ápice da sabedoria, porém não há como desfrutar de mais nada. Lamentavelmente, a sociedade aprendeu a medir o homem pelos bens que possui e não pelo bem que produz, o que faz dele um eterno perseguidor das coisas materiais, por medo do futuro, esse desconhecido que ele próprio consegue subverter.

Ganhar dinheiro e constituir patrimônio para se viver confortavelmente é o desejo da grande maioria, mas construir um mundo melhor exige sacrifícios que a sociedade não está disposta a realizar. O preço do conforto e da glória é alto. A escassez de recursos e as diferenças de oportunidades ao redor do mundo são dignas de reflexão. A mobilidade para a redução das desigualdades é mínima. Há muitos que lutam por pouco e poucos que lutam por mais ainda. Há os que lutam pela vida e os que esperam encontrar a vida na morte. O mundo é essencialmente contraditório.

O Empreendedorismo é visto por alguns como a nova onda do futuro. Em 1994, Jeffry Timmons, estudioso do assunto, declarou que o Empreendedorismo é uma revolução silenciosa que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o Século XX. Com base nessa afirmativa, viveremos uma era de transformações de toda ordem, caracterizada por novas formas de sobrevivência onde o não-emprego tende a dominar as relações de trabalho, diferente do que se vê hoje, se levado em conta que a carteira profissional assinada ainda representa segurança para a maioria das pessoas. O grande desafio será o empreendedorismo sustentável, integrado ao ritmo da natureza, incapaz de comprometer a sobrevivência das próximas gerações.

A preocupação com o futuro é praticamente nula. O imediatismo tomou conta do ser humano e transformou-o numa usina materialista. Em alta velocidade, a sociedade de consumo vai se consumando para o bem (?) da economia mundial. Serão necessários muitos planetas com todos os recursos naturais da Terra para saciar o apetite insaciável do consumo até o fim do novo século.

O trabalho por conta própria remete naturalmente as pessoas ao ganho imediato e ao acúmulo de dinheiro, porém, deixo aqui um desafio para o leitor. Ao colocar em prática o seu espírito empreendedor, pense em como contribuir para melhorar o ambiente ao seu redor e o que você gostaria de deixar como exemplo para as gerações futuras. Se o negócio estiver alinhado com a sua maneira de pensar, de agir e de ver o futuro, não há como dar errado.

Para quê tanta preocupação? Para que os netos dos nossos netos possam desfrutar do gostinho de beber água na palma da mão na primeira vertente que tende a ser disputada no mesmo futuro que a sociedade contemporânea faz questão de ignorar. A solução para os problemas da humanidade está dentro de nós e o que está dentro de nós está disponível no presente. Tudo o que o homem precisa está na terra, no ar e na água, portanto, tratar essa combinação de elementos vitais com carinho e respeito é o mínimo a ser feito.

O empreendedor do futuro não pensa apenas economicamente. Em qualquer lugar do planeta, a sustentabilidade dos negócios está diretamente relacionada ao sentido de realização e à utilização consciente dos recursos naturais disponíveis. Do restante, o foco, esforço individual e a natureza se encarregam.

Publicado originalmente na Revista Geração Sustentável

Manual do Empreendedor – Como construir um empreendimento de sucesso

Manual do Empreendedor (Atlas)

Este livro é indispensável para todo empreendedor ou candidato a futuro empreendedor que deseja entender, fazer parte e ainda prosperar no universo extremamente competitivo dos negócios. Trata-se de um guia que expõe aos empreendedores, empresários e seus respectivos colaboradores as premissas básicas e avançadas desse fenômeno chamado empreendedorismo. Abrange desde os conceitos relacionados ao tema, os primeiros passos para quem deseja empreender, a necessidade de se construir uma visão e uma missão de negócio, as fases do processo empreendedor e o principal desafio a ser enfrentado a partir do momento em que o empreendimento “decola”, o de equilibrar a vida pessoal e profissional.

Escrito numa linguagem muito acessível, a obra é recheada de exemplos, dados e citações que constituem um manancial de informações. Sua leitura elucida grande parte dos mistérios que envolvem o complexo mundo dos empreendedores e vai além. O texto trata do ser humano indissociável, no campo pessoal e no profissional. O sucesso de um depende do sucesso do outro. Empreendedores legítimos compreendem essa verdade muito antes dos seus concorrentes e por isso criam um referencial difícil de ser superado. Em princípio, é a sua vantagem competitiva.

Destaca-se por apresentar as seguintes características: enfoca o lado pessoal e o profissional do empreendedor; trabalha as premissas básicas do planejamento estratégico (visão, missão e valores); estuda as origens do sucesso e do fracasso das grandes organizações; propõe um novo modelo de empreendedor para o século XXI; traz exemplos práticos de decisões tomadas por grandes empreendedores do século XX; defende a indissociabilidade do ser humano para a vida pessoal e a profissional; indica os principais fatores de sucesso e insucesso dos negócios.

Aplicação

Obra recomendada para empresários, gerentes, empreendedores, líderes de equipes e também professores e alunos que se utilizam de livros-textos complementares para a aplicação e o desenvolvimento de disciplinas específicas e textos acadêmicos em nível de ensino médio, graduação, pós-graduação e MBA. Leitura complementar para as disciplinas Empreendedorismo, Empreendedorismo e Inovação, Gestão de Pequenas e Médias Empresas e Planejamento Estratégico dos cursos de graduação e pós-graduação em Administração de Empresas.

Disponível em: Editora Atlas

O legítimo empreendedor

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante

O legítimo empreendedor

Empresas nascem e morrem todos os dias em diferentes lugares do mundo por motivos perfeitamente explicáveis, mas inaceitáveis para quem, muitas vezes, têm de abrir mão da única fonte de sobrevivência. Peter Drucker afirmou que o empreendedorismo pode ser definido como um comportamento e não como um traço de personalidade. Sob esse ponto de vista qualquer pessoa pode se tornar empreendedor desde o momento em que toma a firme de decisão de mudar os acontecimentos ao seu redor e criar algo novo com base em princípios capazes de transformar as próprias necessidades e habilidades pessoais em oportunidades de negócios.

Empreendedorismo é uma palavra cativante, mas aplicá-la no sentido literal requer muito mais do que força de vontade ou capital. Infelizmente as escolas do século passado não se preocuparam com duas premissas básicas do empreendedorismo: lidar com dinheiro e lidar com gente, ou seja, saber conviver com o excesso ou a falta de dinheiro e aprender a se relacionar com as pessoas. Criatividade não falta a nenhum indivíduo na face da Terra, todos são munidos de algum dom especial que pode ser estimulado de alguma forma ou ficar adormecido sem nunca ter sido descoberto.

Ser útil e criativo significa contribuir para um mundo melhor, assim como fizeram Edison, Einstein e Graham Bell. Empreender significa criar valor, inovar, conceber algo inesquecível, útil, digno de louvor e apreciação, o que, em geral, é retribuído pela natureza com valor monetário e reconhecimento.

O que moveu Ford, Santos Dumont e o Barão de Mauá não foi o dinheiro propriamente dito, mas o sentido de realização. Dinheiro é apenas uma conseqüência e pode ser utilizado para o bem ou para o mal quando o empreendedor não conhece a sua verdadeira vocação.

Empreender é algo que transcende a lógica do mercado. Quem não conhece algum empreendedor que, contrariando todos os prognósticos, se deu bem na vida por ter reunido qualidades não ensinadas nas escolas? Persistência, foco, ousadia e relacionamento interpessoal são características imprescindíveis para quem quer vencer como patrão e isso somente o tempo é capaz de ensinar. O que não se deve fazer é lamentar durante uma vida toda sem ter coragem de tentar algo novo.

Vontade pura e simples não basta. O mundo está cheio de sonhadores que não conseguem administrar a própria conta bancária e quem não é capaz de controlar as próprias finanças jamais será um empreendedor de verdade. Talvez seja por essa razão que “a maioria dos homens prefere a escravidão na segurança ao risco na independência”, segundo Mouniere.

A sede de desafios e coisas novas demanda qualidades indispensáveis para a superação de obstáculos, portanto, antes de se atirar no complexo mundo dos negócios, tenha objetivos claros, conhecimento daquilo que deseja e seja um obstinado. Sonhe alto e não perca o foco. Nietzche afirmava que só se pode alcançar um grande êxito quando nós mantemos fiéis a nós mesmos.

E mãos à obra, afinal, o Brasil precisa de legítimos empreendedores.

Disponível em http://www.jeronimos.com.br

O poder da visão de negócio

Jerônimo Mendes, Administrador, Escritor e Palestrante, autor do livro Manual do Empreendedor – Como construir um empreendimento de sucesso (Atlas).

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Em 1947, os Laboratórios Bell anunciaram ao mundo a invenção do transistor, um componente que viria a substituir a válvula de vácuo, especialmente na linha eletrônica de consumo, como o rádio e a televisão. De acordo com Peter Drucker, todos os fabricantes americanos sabiam disso, mas não deram importância, pois imaginavam que a utilização do transistor seria consolidada somente por volta de 1970, vinte anos depois.

Na época, a Sony era praticamente desconhecida fora do Japão. Aliás, a empresa foi fundada em 1946 por Masaru Ibuka e Akio Morita com o nome de TTK (Tokyo Tshushin Kyogu) mediante um empréstimo de 530 dólares. Em 1953, Morita leu sobre o transistor nos jornais e, por conta disso, viajou para os Estados Unidos a fim de adquirir uma licença de uso dos Laboratórios Bell por apenas 25 mil dólares, uma quantia ridícula considerando o resultado proporcionado posteriormente. Essa foi a primeira grande visão de Akio Morita.

Dois anos depois, a Sony lançou o primeiro rádio transistor, o modelo TR-55, em quantidade limitada e com produção restrita ao Japão. O rádio pesava menos de um quinto dos rádios com válvulas comparáveis existentes no mercado e um custava menos de um terço do que os concorrentes. Três anos depois, a Sony dominava o mercado de rádios de baixo custo nos Estados Unidos e, cinco anos mais tarde, os japoneses dominavam o mercado mundial de rádios transistorizados.

O primeiro rádio da TTK para exportação foi o modelo TR-63, produzido em 1957. O TR-63 tinha um design genuinamente inovador e era comercializado em embalagem de presente, dentro de um estojo de couro macio, com flanela antiestática e acompanhado de um moderníssimo fone de ouvido. Era tudo o que o consumidor estrangeiro poderia desejar numa época em que mais por menos fazia muita diferença.

Em 1958, já consolidado no mercado norte-americano, Akio Morita fez com que o nome da empresa fosse mudado. Como defensor entusiasmado da globalização, Morita percebeu que o nome Tokyo Tshushin Kyogu seria um grande obstáculo para a conquista de novos mercados, portanto, precisava de algo que fosse reconhecido em qualquer lugar do mundo, de fácil pronúncia em qualquer língua. A mudança do nome para Sony foi a segunda grande visão de Morita.

A palavra Sony era uma combinação da palavra “sonus” que em latim significa som, e do termo coloquial “sonny” atribuído ao jovem americano da época. Tempos depois, quando perguntaram aos comerciantes norte-americanos, durante uma pesquisa, se eles já haviam comercializado rádios japoneses, a resposta foi um sonoro “não”. Entretanto, quando perguntados se já haviam comercializado rádios Sony, a resposta foi um inequívoco “sim”. A estratégia de Morita funcionou.

Ao longo do tempo, a Sony produziu um fluxo constante de produtos eletrônicos inovadores: na década de 1950, criou o rádio de bolso e o gravador, seu primeiro produto mais importante fabricado no Japão; na década de 1960, produziu a primeira televisão totalmente transistorizada do mundo e a primeira videocâmera.

Na década de 1980, ao tomar conhecimento de que as vendas do primeiro toca-fitas portátil haviam fracassado, Morita utilizou o fato como desculpa e mudou o nome do produto para Walkman no mundo inteiro. A partir de uma nova visão de negócio, a palavra Walkman tornou-se sinônimo de qualidade e de praticidade.

Ao lado de Masaru Ibuka, Akio Morita construiu uma das maiores empresas do mundo, famosa por seus produtos sofisticados em miniatura. Apesar de não ter inventado o transistor, os japoneses fizeram dele o impulso para projetar o país no mundo da eletrônica e o restante é história. Entretanto, a maior contribuição de Akio Morita foi demonstrar aos empreendedores que uma visão de negócio é uma virtude extremamente importante para o sucesso de qualquer empreendimento. Quando o negócio estiver claro na mente, o sucesso será apenas uma questão de tempo.

P.S. publicado originalmente na Revista Geração Sustentável – Edição n. 13, jul. 2009.

Fonte: www.jeronimos.com.br